Testei o Antigravity em um projeto simples
Pedi para o Antigravity (IDE com IA do Google) criar um validador de CPF e CNPJ do zero. Funcionou — mas os problemas apareceram exatamente onde IAs costumam falhar.
O Antigravity é uma IDE do Google que integra o modelo Gemini com o contexto completo do projeto. Ele tem acesso aos arquivos, entende a estrutura do código e permite iterar por meio de conversas — sugerindo alterações, criando arquivos e ajustando trechos existentes. A proposta é integrar IA diretamente ao fluxo de desenvolvimento, com o próprio repositório como base de contexto.
Recentemente resolvi testar o Antigravity em um cenário controlado. Nada ambicioso: comecei com algo intencionalmente simples.
A ideia era criar uma página estática, limpa e direta, para validar e gerar CPF e CNPJ — sem backend, sem regras obscuras, sem escala absurda. Um bom primeiro teste para entender o comportamento real da ferramenta antes de exigir mais dela.
O que funcionou bem
Para um projeto simples, a IA cumpriu muito bem o papel de acelerador de desenvolvimento:
- Estrutura geral da página
- Lógica de validação
- Decisões corretas de produto (como inferir UF a partir do CPF)
- Organização inicial do código
Com prompts claros, o ganho de velocidade foi real.
Comecei pedindo para a própria IA criar um prompt adequado para o projeto — para validar se as regras que ela escreveu estavam alinhadas com o que eu esperava. Em seguida, usei esse prompt como base para continuar o desenvolvimento, incluindo também o código que já utilizava para o rodapé.
Só com isso, em pouco tempo, já tinha algo funcional e coerente.
Onde começaram os problemas
Os problemas surgiram exatamente onde projetos de verdade costumam falhar: acabamento, estrutura e decisões invisíveis.
Alguns exemplos práticos:
- checkboxes com ícones sobrepondo o texto
- espaçamentos que funcionavam muito bem no mobile, mas deixavam o layout vertical demais no desktop
- feedback visual de botões funcionando na lógica, mas não comunicando bem o estado ao usuário
Até aí, nada absurdo.
Com mais alguns prompts — incluindo imagens dos problemas e explicações claras do que eu queria — quase tudo foi resolvido. O único ponto que persistiu foi o checkbox: o check continuava sobrepondo o texto. Mesmo deixando isso explícito em mais de um prompt e pedindo a correção, nada mudava.
A solução só veio quando eu descrevi passo a passo como o problema deveria ser resolvido. Na prática, pedi para a IA criar uma tag HTML específica para o texto do checkbox, o que permitiria espaçá-lo corretamente no CSS.
Nesse momento, já era mais rápido simplesmente ir lá e corrigir o código por conta própria.
Por que isso é um alerta importante para sistemas maiores
Num projeto simples como esse, isso não é grave. Não deve haver grandes evoluções futuras, nem refatorações profundas.
Mas em sistemas maiores, esse tipo de decisão vira dívida técnica rapidamente:
- estruturas ruins
- código pouco semântico
- decisões que “funcionam agora”, mas travam a evolução
- baixa legibilidade e manutenção difícil
- impacto direto em performance e UX no médio prazo
A IA tende a otimizar para o resultado imediato, não para o futuro do código — a menos que alguém esteja pedindo isso explicitamente, com critérios técnicos bem definidos.
[INSERIR LINK INTERNO PARA o post sobre DOOM no Cubo Mágico — outro experimento com ferramentas modernas]
Minha conclusão
IAs como o Antigravity funcionam muito bem como copiloto técnico. Aceleram, sugerem, organizam e resolvem boa parte do caminho.
Mas elas não substituem pensamento crítico, entendimento de estrutura ou visão de longo prazo sobre o código.
Quanto maior a complexidade do sistema, maior a responsabilidade de quem está guiando a IA.
No fim, não é sobre usar ou não usar IA. É sobre quem continua raciocinando enquanto usa — e isso, no longo prazo, vai fazer toda a diferença entre entregar software de qualidade ou acumular dívida técnica invisível.
Você pode checar como ficou o gerador e Validador de CPF e CNPJ aqui.